Cadela foge para acompanhar Romeiros. “Fica doente quando a vou buscar”
Uma cadela de São Miguel, nos Açores, está a emocionar os internautas. A dona partilhou uma foto da Boneca a dormir no altar de uma igreja e apelou para que a deixem acompanhar os fiéis, que caminham pela ilha durante a Quaresma, uma vez que sempre que a vai buscar ela fica “muito doente”.
Boneca está a emocionar os internautas. A cadela, que vive em São Miguel, nos Açores, tem acompanhado nos últimos dias um grupo de Romeiros dos Fenais da Luz, que fazem a sua anual caminhada pela ilha, durante a Quaresma.
Na imagem do Facebook da cadela, a micaelense deixou um apelo: “Deixem estar a Boneca que está bem”. E contou a história.
“Esta é a boneca, é minha e não está abandonada. Não vive nas ruas. Já é a terceira vez que vai num rancho de romeiros e a vou buscar. Peço por favor que deixem estar a cadelinha. Não a vou buscar [desta vez] porque da última vez ela ficou muito doente. Peço que a deixem com os irmãos romeiros dos Fenais da Luz. Ela está bem, come com os mesmos, dorme, vai à missa com eles. Por isso, deixem estar a boneca que ela está bem. Sábado irei buscá-la na chegada do rancho. Obrigada”, escreveu.
Em dois dias, a publicação já recebeu mais de 1.600 reações, 150 comentários e foi partilhada centenas de vezes.
Nos comentários, muitos são os utilizadores que confessam estar emocionados com a atitude da cadela. Há quem questione Mariana se a cadela tem algum conhecido no rancho, ao que ela responde que não. Parece que Boneca é apenas uma cadela de fé.
Recorde-se que as romarias da Quaresma são um dos aspetos mais distintivos da cultura e da religiosidade do arquipélago, principalmente, da ilha de São Miguel.
Constituem uma tradição enraizada que se perpetua há séculos, entrelaçando fé, comunidade e identidade açoriana.
Os grupos de Romeiros são constituídos apenas por homens que, durante a Quaresma, percorrem a pé toda a ilha de São Miguel, nos Açores, a rezar e cantar em devoção a Nossa Senhora.
A tradição secular foi iniciada no século XVI, após os fortes sismos de Vila Franca do Campo, e é uma forte expressão de fé, penitência e oração, uma vez que a peregrinação dura vários (longos) dias.