Não pertenço a partidos políticos, não vivo a vida agarrada a ideais de esquerda ou de direita ou do centro. O único partido que tenho é o Sporting Clube de Portugal. Por esse, grito e quero sempre que vença. De resto, sou por quem quer o bem dos animais. Senão não teria construído um refúgio para lhes dar uma vida com maior qualidade.
Apesar de não gostar de me envolver em políticas, considero de extrema importância, que os animais tenham uma certa visibilidade no nosso Parlamento, que se falasse mais nessa questão mas, infelizmente, o partido PAN só tem um representante no hemiciclo: a Inês Sousa Real.
A Inês tem feito um bom trabalho na defesa da natureza e dos animais mas está sozinha. E, cada vez mais, os assuntos referentes ao bem estar animal vão sendo relegados para segundo plano por todos os partidos. Parece seer algo que ouco preocupa aos políticos. Estar sozinho e defender os animais não é fácil quando uma grande maioria de deputados – principalmente os mais conservadores – apoiam tradições como as touradas ou corridas de cães, ou os tiros aos patos ou mesmo a caça.
Tudo em favor de uma tradição sanguinária que já não devia existir no século XXI. Até apoios financeiros davam para quem mantinha a tradição do toureio. Não consigo perceber como há pessoas que acham divertido ver alguém a espetar ferros num touro numa arena. É absurdo, parece que estamos no tempo dos romanos e dos gladiadores.
As touradas não foram proibidas, nem as artes da tauromaquia porque muitos a defendem como património cultural para ser preservado. E há muitos deputados que as defendem e continuarão a defender. Que bom seria todos pensarem mais em valores como os da natureza e dos animais. O Planeta bem precisa de maior consideração. Os animais também.
Para mim, toda e qualquer tradição, se for má, pode e deve ser descontinuada. A ‘Queima do Gato’, que consistia em pegar fogo a um gato vivo, foi descontinuada. Já não existe.
Por isso, seria tão bom que os partidos de todos os quadrantes dessem mais espaço nos seus programas ao bem estar animal e contribuir para novas leis que protejam e apoiem mais esta área.
Há tanta coisa por fazer. A alimentação está cara, os veterinários deixam qualquer pessoa na bancarrota – uma ajuda seria baixar-se o IVA -, o abandono é cada vez maior, as associações de proteção e refúgio animal estão cheias e a maioria necessita de apoio financeiro… E há tanta coisa que um Governo podia fazer…
A meu ver, o direito a viver com dignidade para todos os seres vivos deve fazer parte da discussão política. Devem avançar com mais planos, mais ideias, no sentido de se resolverem alguns problemas.
Já se conseguiu muito nos últimos anos pelo bem-estar animal e até tem feito parte da discussão política, pressionados pela sociedade civil e pelos defensores dos animais, o tema tem sido levado a debate na Assembleia da República e Parlamento Europeu.
O PAN tem ajudado sendo uma voz ativa no Parlamento mas é importante lembrar que muitos ativistas da causa animal, protetores de rua e associações, têm lutado diariamente para a conquista de direitos fundamentais relativamente à vida dos animais, quer os errantes, quer os domésticos, ou outros.
Mas não há investimento público, o problema do abandono e maus tratos dos animais tem sido em muito gerido por particulares e amantes dos animais, a seu próprio custo ou através de apoio da sociedade civil ou mesmo de algumas câmaras municipais preocupadas com o problema. Não deveria ser assim, na minha opinião nenhuma vida animal devia depender da solidariedade. O Estado deveria ter também a obrigação de garantir esse bem estar.