Para quando lhe roubam o coração

Postais de São Valentim e outras namoradices

 |  Marita Moreno Ferreira  |  ,

O Dia dos Namorados, celebrado a 14 de Fevereiro em grande parte do Mundo, é simultaneamente o Dia de São Valentim, uma data que combina tradições cristãs, lendas medievais e ecos de antigos rituais pagãos. A sua associação ao amor romântico ganhou força na Europa medieval, quando se acreditava que, por volta de meados de Fevereiro, começava a época de acasalamento das aves — uma ideia popularizada por poetas como Chaucer e que reforçou a ligação simbólica entre esta data e o florescer dos afectos humanos.

A origem mais difundida remonta ao século III, no Império Romano, durante o reinado de Cláudio II. Segundo a tradição, o imperador proibira casamentos para garantir soldados mais dedicados, mas o padre Valentim desafiou a ordem e continuou a celebrar uniões em segredo. A sua execução transformou-o em mártir e, mais tarde, em símbolo cristão do amor e da fidelidade.
A data, contudo, tem raízes ainda mais antigas. Antes da cristianização, Fevereiro era marcado pela Lupercália, um festival romano dedicado à fertilidade e à proteção das famílias, celebrado em honra de Juno e Pan. A Igreja viria a substituir estas práticas pagãs pela festa de São Valentim, consolidando o 14 de Fevereiro como celebração oficial.
Com o passar dos séculos, o Dia de São Valentim evoluiu de festividade religiosa para tradição cultural. No século XIX, sobretudo nos Estados Unidos e no Reino Unido, popularizaram‑se os postais de São Valentim — muitas vezes enviados anonimamente — decorados com rendas, flores e mensagens românticas. Estes “valentines” tornaram‑se um fenómeno social e comercial, ajudando a internacionalizar a data.
Em Portugal, o Dia dos Namorados celebra‑se também a 14 de Fevereiro, embora com tradições próprias, como as antigas cantarinhas de Guimarães, oferecidas como prova de afeto. A celebração ganhou maior expressão ao longo do século XX, acompanhando a influência cultural anglo‑saxónica e a crescente comercialização da data.
Hoje, o Dia de São Valentim tem especial peso em países como os Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália e Portugal, além de ser celebrado em datas distintas noutros lugares — como no Brasil, onde ocorre a 12 de Junho, véspera de Santo António, o “santo casamenteiro”.
Ao longo da história, o romantismo associado ao dia inspirou escritores, artistas e pensadores. Shakespeare escreveu que “o amor não vê com os olhos, mas com a mente”, enquanto Victor Hugo lembrava que “a vida é uma flor da qual o amor é o mel”. Estas frases, embora não ligadas diretamente à data, refletem o espírito que o Dia dos Namorados procura celebrar, a persistência do afecto humano através do tempo.
Em alternativa, há sempre o bem-humorado ditado italiano: o amor faz passar o tempo, o tempo faz passar o amor.

Créditos Imagem:

Vecteezy, Alexandra Troitskaya

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