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Nos dias 29 e 30 de setembro pode deambular por um bairro cheio de histórias fadistas

O fado regressa a Alfama em Setembro

 |  Alexandra Ferreira  | 

Nos próximos dias 29 e 30 de setembro, Alfama enche-se ainda mais de fado para o Festival que já conquistou o coração do público.

Os diversos palcos do Festival Santa Casa Alfama espalham-se pelo bairro, criando a sensação de que ali o fado pode acontecer em qualquer beco, viela ou praça… desafiando o público a tocar na alma portuguesa, deambulando por um bairro cheio de histórias fadistas.

Com uma seleção musical cuidadosa e exigente, dando espaço a vozes consagradas e também àqueles que garantem o futuro do género, o Santa Casa Alfama é também um Festival com memória e  homenageia este ano um dos maiores vultos da cultura popular portuguesa, Hermínia Silva.

Santa Casa de Misericórdia de Lisboa e a Música no Coração convidam a saber tudo sobre o regresso do fado a Alfama para a 11ª edição do Santa Casa Alfama.

Nos dias 29 e 30 de setembro, o Santa Casa Alfama está de regresso para mais uma grande celebração da nossa música. O cartaz é diverso e os motivos de interesse crescem a cada dia. Como tem acontecido ao longo de todas as edições, o itinerário do Santa Casa Alfama também passa pelas igrejas do bairro, lugares de culto que se transformam em palcos perfeitos para uma arte tantas vezes ligada a sentimentos como a devoção, a adoração e a fé. Este ano a Igreja de São Miguel recebe Peu Madureira, Júlio Resende, Luís Caeiro e Artur Batalha; já a Igreja de Santo Estêvão recebe Pedro Galveias, Maria Amélia Proença e ainda uma noite de fados protagonizada por um trio de fadistas do Porto, em mais uma homenagem a Hermínia Silva.

OS PROTAGONISTAS DO EVENTO

Peu Madureira nasceu em Lisboa, embora as suas raízes estejam em lugares tão diversos quanto Tomar ou Goa.

O fado foi sempre um fiel companheiro na sua vida, lembrando-se de o ouvir em casa, não só em múltiplos álbuns, mas também cantado pela sua mãe e pela sua avó. É o último de quatro irmãos e pertence a uma família amante da música, tendo um irmão compositor, João Madureira, e um tio cantor, Luís Madureira. A sua paixão pelo seu país, pelas suas gentes, pelas suas tradições e costumes levou-o a estudar História na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Estreou-se como amador em 2002, numa festa de beneficência em Sintra. Desde aí tem cantado, de forma esporádica, em diferentes casas de fado e representado Portugal em vários eventos internacionais. Em 2018 interpretou o tema “Só Por Ela” no Festival da Canção, classificando-se em terceiro lugar. Desde aí começou a construir o seu primeiro trabalho discográfico, que vê agora a luz do dia. “Espera” promete conquistar o público, também na atuação agendada para dia 29 de setembro na Igreja de São Miguel.

 

Júlio Resende é um dos mais internacionais músicos portugueses, num percurso que se inicia no jazz, passa pelo fado e pela palavra, e chega mais recentemente ao pop-rock.

Depois de ter gravado os seus três primeiros projetos em nome próprio em formato de trio e de quarteto de jazz, Resende decide pensar a improvisação sobre outros géneros musicais, como é o caso do fado, em que cruza tradição com modernidade e lança, a partir do seu piano, um novo olhar sobre a canção portuguesa. Baseando-se em alguns dos temas mais populares de Amália Rodrigues, Júlio Resende apresenta um novo desafio: trazer o fado ao piano, cantar as melodias com o piano e expressar tudo o que o fado significa. “Amália por Júlio Resende”, editado em 2013 pela Valentim de Carvalho, foi unanimemente aclamado por toda a crítica musical portuguesa. Na sequência do seu primeiro projeto a solo no qual junta fado e jazz, Júlio Resende lançou em 2015 o seu quinto álbum, “Fado & Further”, com a participação da catalã Sílvia Pérez Cruz. Também no disco “Júlio Resende – Fado Jazz Ensemble” o pianista português volta a aproximar o seu jazz ao fado, desta feita com banda e com a presença da guitarra portuguesa de Bruno Chaveiro. Temos de nos sentir gratos por sermos contemporâneos de um músico como Júlio Resende e por termos a oportunidade de o ouvir ao vivo, desta vez de novo num ambiente fadista, dia 29 de setembro, na Igreja de São Miguel.

 

O Alentejo sempre se revelou um bom terreno fadista. E Luís Caeiro é mais um jovem que prova isso mesmo.

Quem o ouve não fica indiferente à sua postura fadista e à sua voz portentosa. Ao longo do seu percurso já venceu a Grande Noite do Fado de 2007, o programa “Novos Talentos” da TVI em 2008, a gala “Nasci Para o Fado” de Filipe La Féria, além de ter sido finalista do programa “Uma Canção Para Ti” em 2008 e de ter integrado o elenco do espetáculo musical “Fado – História de Um Povo”, também de Filipe La Féria. Desde cedo que o seu futuro na música estava claro e com este currículo ainda mais: Luís Caeiro só poderia ser fadista. Admirador e conhecedor de toda a obra de Amália Rodrigues, Luís idolatra o passado artístico da diva e já dedicou à sua memória um fado original: “Sonhei com Amália”. O seu disco “Hoje há Fado” inclui fados clássicos e também temas originais, compostos para si, e todos interpretados com alma e dedicação ao fado. E em jeito de homenagem às suas raízes, convida os Trovadores de Redondo para interpretar um tema já marcante na sua carreira: “Lírio Rouxo”. Luís Caeiro é hoje uma certeza do fado e, por isso, teria de passar pelo Santa Casa Alfama – atua dia 30 de setembro na Igreja de São Miguel.

 

Artur Henriques dos Santos Batalha, ou simplesmente Artur Batalha, como é conhecido no meio fadista, nasceu em Alfama a 14 de Abril de 1951.

Iniciou o seu percurso com apenas 14 anos na Taverna do Embuçado, embora já cantasse desde os 9 anos de idade. Em 1971, ganhou o prémio da Grande Noite do Fado, no Coliseu dos Recreios, e foi contratado para cantar em vários países do mundo. É uma figura de referência do fado mais “castiço” e também da própria cidade de Lisboa, a par de nomes como Argentina Santos, Alfredo Marceneiro ou Fernando Maurício… E em setembro deste ano, o “Príncipe do Fado” vai actuar no seu bairro de sempre, o lugar onde verdadeiramente se sente em casa – Alfama, claro. Desta vez Artur Batalha atua dia 30 de setembro, na Igreja de São Miguel.

 

Pedro Galveias fez a sua estreia no Grupo Recreativo Mariapiense, com apenas 8 anos. Desde então nunca mais parou de cantar.

Aos 14 anos, passou a actuar regularmente no “Painel do Fado”, onde também cantavam fadistas como Maria José Valério, João Casanova, Odete Jorge e José Manuel. Participou e saiu vitorioso em diversos concursos para jovens fadistas. Recebeu o primeiro prémio na Grande Noite de Fado por duas vezes: na categoria infantil, em 1986, e como sénior, em 1995. Cantou durante 12 anos no restaurante “Os Ferreiras”, onde teve o privilégio de conviver com o “mestre” Fernando Maurício. Ao longo de trinta anos de fado, realizou concertos em Portugal e no estrangeiro. Em 2017 lançou o disco “Ruas do meu fado”, num registo onde mostrou o seu talento e a sua maturidade enquanto fadista. E essas são qualidades que o público do Santa Casa Alfama poderá testemunhar dia 29 de setembro, na Igreja de Santo Estêvão.

Maria Amélia Proença nasceu em Lisboa, no bairro de Campo de Ourique. Em criança ouvia muitos programas na rádio e aprendia todos os fados que tocavam, em especial os de Amália Rodrigues, e depois cantarolava esses mesmos temas em casa e na rua.

Não demorou muito até começar a dar nas vistas e a sua carreira arrancou bem cedo, sempre com sucessos até aos dias de hoje. Esteve sempre muito ligada aos espaços mais tradicionais das casas de fado, tendo passado pelos elencos das casas mais importantes da cidade, como “O Luso”, “O Faia”, “A Taverna do Embuçado”, “Senhor Vinho” ou, mais recentemente, “Parreirinha de Alfama” e “Fado Menor”. Apesar disso, a fadista também embarcou em digressões, passando por Singapura, Malásia, Japão, Alemanha, Holanda, França, entre outros destinos. Com os seus 72 anos de carreira, Maria Amélia Proença promete agora um concerto inesquecível na Igreja de Santo Estêvão, dia 29 de setembro.

Ana Pinhal, Cátia de Oliveira e Adriana Paquete são três jovens fadistas da cidade do Porto que já pisaram os principais palcos do país e levaram além fronteiras a sua arte do fado.

Este é um projeto que viaja pelos principais temas de Hermínia Silva quer no fado quer na canção. Trio passa por temas como “Tendinha”, “Marinheiro Americano”, “Fado Pirim-Pirim” ou “Fado das Iscas”. Na edição deste ano do Santa Casa Alfama espera-se hora e meia para recordar a grande atriz e fadista com temas descontraídos e bem “picadinhos”, como a própria gostava de dizer. Este espectáculo acontece dia 30 de setembro, na Igreja de Santo Estêvão.

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