Bill Gates admite casos com russas, mas nega crimes ligados a Epstein
Bill Gates, cofundador da Microsoft, admitiu ter tido casos extraconjugais com mulheres russas e pediu desculpas pela sua ligação a Jeffrey Epstein. “Não fiz nada de ilícito. Não vi nada de ilícito”, garantiu.
Segundo escreveu o Wall Street Journal, o bilionário disse aos funcionários da sua fundação, na terça-feira, que voou num avião privado com Epstein e passou algum tempo com ele nos Estados Unidos e no estrangeiro, mas negou ter participado em qualquer crime.
“Não fiz nada de ilícito. Não vi nada de ilícito”, disse Gates na reunião. “Para que fique claro, nunca passei tempo com as vítimas, as mulheres que o rodeavam.”
Gates admitiu, contudo, que teve dois casos extraconjugais durante o casamento com Melinda French Gates, que acabou por pedir o divórcio em 2021, após uma relação de quase 30 anos.
“Tive casos extraconjugais, um com uma jogadora de bridge russa que conheci em eventos de bridge e outro com uma física nuclear russa que conheci através de atividades comerciais”, disse aos funcionários.
Num e-mail de 4 de julho de 2013 enviado a Boris Nikolic, o principal conselheiro de Gates para a ciência e tecnologia, Epstein nomeou duas mulheres com quem alegava que Gates tinha tido casos.
“Bill corre o risco de passar de homem mais rico a maior hipócrita, Melinda se tornar motivo de chacota, e as doações desaparecerão como consequência”, disse Epstein a Nikolic.
Poucas semanas depois, Epstein enviou um e-mail de “demissão” para si próprio, no qual parecia estar a escrever como Nikolic, onde afirmou que esteve “envolvido numa grave disputa conjugal entre Melinda e Bill”.
O mesmo e-mail indicava que Nikolic tinha ajudado Gates a obter medicamentos “para lidar com as consequências do sexo com raparigas russas”.
Bill Gates admitiu ainda que a sua ligação Epstein impactou outras pessoas dentro da Fundação Gates. “Peço desculpa a outras pessoas que foram envolvidas nisto por causa do erro que cometi”, disse, destacando que tal “é o oposto dos valores e objetivos da fundação”.
Citado pela BBC, um porta-voz da organização disse que Gates “falou com franqueza” e “assumiu a responsabilidade pelas suas ações”.
Recorde-se que o Departamento de Justiça norte-americano divulgou, no final de janeiro, três milhões de documentos sobre Jeffrey Epstein. Tratam-se de mais de 2.000 vídeos e 180.000 imagens, em grande parte “pornografia”.
Entre os nomes citados, do mundo das artes, de empresas e desporto e da política, está o de Bill Gates. Há registo de dois e-mails de 18 de julho de 2013, aparentemente escritos por Epstein e que teriam como destinatário Bill Gates.
Vale sublinhar que Bill Gates não foi acusado de qualquer irregularidade por nenhuma das vítimas de Epstein e o facto de o seu nome constar nos arquivos não implica qualquer tipo de atividade criminosa.
Jeffrey Epstein, recorde-se, foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque, com um lençol atado ao pescoço, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual.