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MARISA TEIXEIRA
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Esterilizar, sim. Matar, não!

Todos sabem que sou uma defensora da esterilização de animais errantes. Assim previnem-se as ninhadas indesejadas e os cães ganham mais qualidade de vida.
É recomendado esterilizar o cão antes do primeiro cio, por volta dos 6 meses em animais de pequeno porte, ou até aos 12 meses para os de médio a grande porte; Após o primeiro cio, cerca de 4 meses depois. As cadelas de tamanho pequeno devem ser esterilizadas antes do seu primeiro cio (7-9 meses) ou logo depois do mesmo. Assim se evitam futuros tumores de mama, outras doenças e ninhadas indesejadas.
Também é bom percebermos que nos errantes por vezes é complicado saber a idade e, neste casos, a primeira coisa a fazer é mesmo levá-los logo a esterilizar na primeira ida ao veterinário.
Esta conversa toda para quê? Bem, primeiro porque gosto que estas minhas histórias tenham o seu quê de educativas no que respeita ao bem estar dos patudos, depois porque me deparei há pouco tempo com uma situação surrealista. Na minha opinião. Daquelas em que ficamos entre a espada e a parede mas, felizmente, tenho coração e consciência.
Nas redes sociais num caso como o que vou contar a seguir, aparecem sempre milhares de comentários de pessoas a dizer, outras a pensar, mas com vergonha de dizer, que não devia ter deixado nascer um monte de bebés de uma cadela para a qual me pediram ajuda.
Na semana passada recebi um pedido de ajuda para uma cadelinha que tinha sido abandonada há três meses, marquei esterilização pois é a primeira coisa que faço e pedi para a trazerem no dia da esterilização.
Quem a trouxe disse-me que a cadelinha tinha tido o cio. Quando me deparei com a menina, meu Deus, tinha um barrigão do tamanho do mundo e, dava para depreender que estava a um ou dois dias de parir uma ninhada.
Não é possível pensar-se que uma pessoa como eu fosse matar bebés prestes a nascerem! Nunca, jamais. Como é lógico não a levei a esterelizar. Além de lhe matar os bebés os procedimentos cirurgicos têm sempre um risco associado numa gravidez em fase final pela anestesia e não só.
Neste caso, a minha consciência é maior que qualquer recriminação e nunca irei ficar com o sentimento de culpa de ter provocado ou tirado a vida a nenhum animal.

Muitos irão dizer que com tantos animais abandonados não se devia ter deixado nascer. Não penso o mesmo. Para mim são vidas iguais ás que tiramos dos contentores de lixo e salvamos a biberons!

Neste caso temos a mãe o que é muito melhor! A mãe e os seus filhotes. Não há nada melhor que o amor e o cuidado e até o leite materno para os proteger de doenças.

Agora, preparem-se para o meu sermão no que respeita a esta mãe de quatro patas. Esta menina foi abandonada há três meses, foi chamada a GNR , foi pedida ajuda a 2 ou 3 associações e ninguém, mesmo ninguém ajudou… (espaço é coisa que não abunda e, eu entendo, pois estamos todos sobrecarregados).

Compreendo tudo só não entendo porque não ajudaram com a esterilização? Ninguém se lembrou que isto ia acontecer estando a cadelinha à mercê das ruas por lá ter sido abandonada?

Tanta pompa com campanhas de esterilização e não havia lugar para esta menina ter ido esterelizar e esta ninhada não ter acontecido???

Só que para muita gente, quem está errada sou eu que não quis matar bebés que nasceram horas depois num concelho que tem a decorrer uma campanha de esterilização (que se diz uma das maiores) é inconcebível que nao se ajude a controlar ninhadas.

Basta esterelizar logo o animal quando o encontram perdido ou errante ou abandonado. Assim previne-se o comportamento errático por parte do animal quando se encontra no cio. E mais uma vez peço: Não Abandone o seu Amigo de 4 patas.

“A felicidade espelhada no olhar … os filhotes protegidos é a melhor coisa para uma mãe”

Créditos Imagem:

DR

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