Portugal vive um crescimento contínuo da diabetes, com prevalência recorde e forte impacte social e económico. Os dados mais recentes mostram mais de 900 mil pessoas diagnosticadas e mais de 75 mil novos casos anuais. Só em 2024 foram registados 88.476 novos casos. A doença continua a aumentar, muito associada à obesidade, ao envelhecimento e ao sedentarismo.
A percentagem mais recente e fiável indica que 14,2% da população portuguesa tem diabetes, um valor recorde e o mais elevado de sempre segundo o Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes. Atinge cerca de 1,2 milhões de adultos, na população adulta entre os 20-79 anos, segundo dados de 2025.
Campanha de detecção precoce
Tipo 2: um estilo de vida saudável
Obesidade é principal causa de diabetes
Progressão da doença em Portugal
A diabetes tipo 2 representa a esmagadora maioria dos casos. A progressão tem sido marcada pelo aumento anual de novos diagnósticos (entre 75 mil e 88 mil/ano), o envelhecimento da população, que aumenta o risco, uma melhor capacidade de rastreio (entre 2021 e 2023, 3,41 milhões de utentes foram avaliados para risco de diabetes tipo 2) e melhor acesso a cuidados, com mais de 85% dos doentes acompanhados no SNS em 2024.
Calcula-se também que uma em cada 300 crianças e jovens, dos 3 aos 17 anos, sofram de diabetes tipo 1 em Portugal. Número que acompanha as tendências mundiais.
Principais causas da diabetes
A obesidade e excesso de peso são as principais causas da diabetes tipo 2 (90% dos casos). Assim como o sedentarismo, a alimentação rica em açúcares e gorduras, a idade avançada, a história familiar e a resistência à insulina.
Por isso a importância e a urgência da educação para estes riscos. Em Portugal, a obesidade e o excesso de peso afectam mais de metade da população adulta — o que explica parte da elevada prevalência da doença. A relação é tão directa, que alguns especialistas chamam à diabetes tipo 2 “diabesidade”.
O excesso de gordura corporal aumenta a resistência à insulina, obrigando o pâncreas a produzir mais insulina até esgotar.
Quanto à diabetes do tipo 1, é uma doença autoimune com falta total de insulina, surgindo frequentemente na juventude. O sistema imunológico destrói as células beta do pâncreas, impedindo a produção de insulina. O tratamento exige injeções de insulina desde o início da doença. Factores genéticos, possíveis gatilhos ambientais como vírus e infecções, bem como grandes choques emocionais, estão presentes neste tipo de diabetes.
Sintomas e tratamentos actuais
Os sinais mais comuns da diabetes são sede excessiva, fome frequente, fadiga, visão embaciada e vontade de urinar com frequência. O diagnóstico de um profissionalde saúde é muito importante e, quanto mais cedo acontece, melhor e mais depressa se aprende a controlar a doença.
O tratamento depende do tipo de diabetes e, na diabetes tipo 1, envolve toma de vários tipos de insulina, controlo dos hidratos de carbono presentes na dieta, monitorização contínua dos níveis de glicémia através de sensores e bombas de insulina, entre outros procedimentos.
A diabetes tipo 2 requer mudanças no estilo de vida (alimentação, exercício), antidiabéticos orais, insulina injectada em fases avançadas e, em casos mais extremos, cirurgia bariátrica em casos de obesidade grave.
A primeira causa de cegueira em Portugal
A diabetes é uma das principais causas de cegueira evitável em adultos, devido à retinopatia diabética. As autoridades de saúde reconhecem que a retinopatia diabética é a principal causa de cegueira adquirida em idade ativa. O risco aumenta com a duração da doença e com o mau controlo glicémico.
Direitos dos diabéticos em Portugal
As pessoas com diabetes têm vários direitos reconhecidos por lei e pelo SNS, como os direitos no trabalho, nomeadamente a proibição de discriminação no acesso ao emprego, a adaptação de horários para administração de insulina ou refeições, quando necessário e proteção especial em profissões de risco como forças de segurança e condução profissional, com avaliação caso a caso.
Nos direitos na saúde incluem-se acesso gratuito a consultas de diabetes no SNS, comparticipação elevada em medicamentos e material de autocontrolo, sensores de glicemia comparticipados para muitos doentes e acesso a programas de educação terapêutica.
No âmbito dos direitos sociais existe a possibilidade de atribuição de Grau de Incapacidade (em casos de complicações), acesso a prestações sociais, como o complemento por dependência, subsídio por doença prolongada e benefícios fiscais (IRS, IUC, IVA reduzido em alguns dispositivos).
A proteção social para diabéticos inclui a isenção de taxas moderadoras em situações específicas (ex.: grávidas com diabetes), apoio na aquisição de medicamentos e dispositivos, apoios da Segurança Social para quem apresenta incapacidade igual ou superior a 60%, apoio escolar para crianças com diabetes (planos individuais de saúde).
Muitos destes direitos são escamoteados e desaproveitados por desconhecimento, tanto da parte dos doentes, como das entidades empregadoras.
A informação clara e passada por profissionais certificados evita, não só a doença, como os custos sociais e de meios que poderiam ser empregues a combater a diabetes. A diabetes representa cerca de 0,6% do PIB nacional, com 418 milhões de euros gastos em medicação (antidiabéticos e insulinas) em 2021.
Cerca de 40% das pessoas com Diabetes em Portugal não sabem que têm a doença. Em 2021, registaram-se 2.639 amputações e cerca de 2.700 internamentos por pé diabético.