O painel encontrado desmantelado numa casa devoluta foi restaurado e e está nas Caldas da Rainha

Azulejos de Bordalo Pinheiro mostrados pela primeira vez

 |  Alexandra Ferreira  |  ,

Painel de azulejos de Bordalo Pinheiro exposto pela primeira vez nas Caldas

Um painel de azulejos pintado à mão por Rafael Bordalo Pinheiro e encontrado desmantelado numa casa devoluta foi restaurado e está pela primeira vez em exposição, nas Caldas da Rainha, foi  anunciado.

Opainel, que retrata Santo António sobre um rochedo, rodeado pelas águas do mar, “é uma peça muito pouco habitual na produção de artística” de Rafael Bordalo Pinheiro, na área da cerâmica, já que “a sua produção era sobretudo de azulejo padrão” e não terá “feito em vida muitos azulejos pintados”, disse à agência Lusa o diretor do Centro de Artes das Caldas da Rainha, José Antunes.

A peça, que está pela primeira vez em exposição, no Atelier-Museu António Duarte, do Centro de Artes das Caldas da Rainha, tem ainda a particularidade de ter sido encontrada na casa Amarela, um edifício que se encontrava devoluto, recuperado pelo município e transformado num espaço cultural.

Os azulejos foram encontrados por José Antunes, há cerca de 15 anos, “dentro de umas latas antigas, guardadas num sítio esconso da casa que era frequentada por pessoas sem abrigo e toxicodependentes”.

Portanto, acrescentou, “foi muito surpreendente ver que ainda restava, além um património que não tinha sido ainda dissipado, um painel de Bordalo Pinheiro”.

O conjunto, com mais de um metro de largura e dois de comprimento, é composto por 90 azulejos de 18 por 18 centímetros, com elementos alusivos ao mar e à pesca, nomeadamente cordas, boias e redes, que “conferem unidade temática e simbólica à obra”.

O painel é composto por azulejos moldados manualmente em barro, cada um com a marca impressa da fábrica.

Restaurada pelo Museu Nacional do Azulejo, a obra, que ainda está a ser estudada, “é uma peça absolutamente única”, afirmou José Antunes, explicando que o contacto com investigadores e a investigação do Centro de Artes permitiu já “perceber que não existe paralelo de um painel” feito pelo artista.

“É uma peça de grande qualidade plástica, apesar de ela ter tido, provavelmente, na sua produção, já no momento da cozedura em forno e na vidragem, alguns problemas” e de, quando foi encontrado, ter “algumas falhas na quadrícula” que foram reconstituídas no âmbito do restauro.

O painel encontra-se atualmente inserido na coleção de Arte Sacra do Atelier-Museu António Duarte, mostra que já se encontra novamente aberta ao público, numa nova sala, uma vez que o espaço que habitualmente ocupava aguarda obras de reabilitação.

A entrada no Atelier-Museu António Duarte é gratuita.

*Lusa

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© Museu Bordalo Pinheiro

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