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Editorial

Alexandra Ferreira (Diretora)

Ninguém é velho aos cinquenta anos

27 Mai. 2024

Envelhecer é natural. Nascemos, crescemos e acabamos por envelhecer. Não bastasse o facto de se ter de lidar com o envelhecimento, quem tem mais de 50 anos têm ainda de enfrentar o preconceito do idadismo.

O que é o idadismo? Perguntam. Tal como o etarismo e o ageísmo, o idadismo é considerado como o preconceito ou discriminação com base na idade. Por norma, acontece em pessoas mais velhas, mas também afeta afeta pessoas mais jovens. A discriminação por idade por vezes não é levada tão a sério como outras formas de discriminação. Mas é dolorosa e causa bastantes estragos nas vidas das pessoas que no Bilhete de Identidade tem 50 anos ou mais. Podem até ser das mais dinâmicas e enérgicas, até muito mais profissionais e experientes no seu ‘métier’ mas, se têm mais de 50 anos, já não serve para integrar os quadros de uma empresa.

És muito velho para trabalhar e muito novo para te reformares.

Ser velho em Portugal é ter mais de 50 anos. Os cinquenta marcam o não retorno a tudo aquilo que sempre se fez bem. Profissionalmente, se perdes o emprego nesta faixa etária, esquece porque não vais nunca mais encontrar. Já és velho perante as empresas que preferem um jovem a quem até pagam menos e que poderá eventualmente crescer nela. É muito triste este tipo de mentalidade que fecha as portas a quem tem mais de 50 anos e os deixa num limbo. Não têm ainda idade de reforma mas também não conseguem encontrar trabalho digno das suas carreiras.

Quase ninguém fala nisto, não percebo a razão já que todos com mais de 50 anos que ficaram desempregados sofreram na pele e no próprio ego, as centenas de ‘Não’ de rejeições das empresas quando na busca de um trabalho. Os anúncios de emprego são todos vocacionados para estágiários jovens, é raro haver um que seja para pessoa experiente, competente e enérgica com mais de 50 anos.

Não se nota mas o idadismo está interiorizado na cabeça de todos nós, nas instituições, nas leis e até nas políticas (veja-se agora o caso do IRS menor para quem tem menos de 35 anos, como se isto não fosse uma medida preconceituosa). Fora de Portugal pagam fortunas a um ‘carola’ experiente, competente e enérgico porque sabem que ali vão ter alguém com a cabeça e o corpo no lugar porque já têm a sua vida organizada ao longo dos anos.

Não acho que o caminho da segmentação etária seja solução para ninguém. Nem para os mais novos, nem para os mais velhos. Portugal precisa de gente que trabalhe independentemente da sua idade. Há que apostar nos mais velhos porque eles também têm de sustentar a sua família, têm de pagar a sua casa, as suas obrigações mensais. Não é atirá-los ao pontapé para a fila das reformas antecipadas ou das reformas por desemprego de longa duração. Estas pessoas trabalharam a vida toda para terem reformas dignas e acabam por ser penalizados masmo perto da meta. Está tão errado. E é tão mas tão preconceituoso que chega a ser vergonhoso.

O problema é que a Portugal, a cauda da Europa, chega já tudo muito tarde. Enquanto na Europa e EUA já se começa a dar mais importância e valor aos profissionais experientes e a considerá-los de relevância na estrutura de uma empresa, em Portugal ainda acreditamos no Pai Natal e lançamos os jovens para estágios sem ‘profissionais’ antigos que os ensinem as coisas, que os ajudem a superar as dificuldades de um primeiro emprego. Os que lá estão são jovens demais para ensinar e nem estão para isso. Assim, os estagiários ficam à mercê do que aprenderam nos livros. O que é muito diferente de quando o têm de colocar em prática. E depois queremos jovens eficientes, inteligentes e bons profissionais. Enfim… deitam-se os professores ao lixo e os mais novos que se desenrasquem. Esta é a lógica triste dos preconceituosos, do idadismo.

O idadismo é um processo que começa quase no berço ou melhor, quando somos pequenos e começamos a absorver tudo o que gira à nossa volta, tipo sinais, palavras, piadas e outros tantos comportamentos que ao longo dos anos se vão desenvolvendo em cada um de nós e que depois os usamos em relação às pessoas. “Tu aí ó puto” ou “Sai daí velho, mexe-te” são o oposto mas referem a mentalidade portuguesa sobre o idadismo.

Mas porque raio uma pessoa com mais de 50 anos nunca é chamada para uma vaga de emprego quando estão no auge profissionalmente e carregados de energia pura? Não faço ideia e durante os três anos em que estive desempregada porque tinha mais de 50 anos e ninguém respondeu às centenas de currículos enviados, optei para em simultâneo fazer cursos profissionais na minha área de ‘jornalismo’ e ‘comunicação’ e ‘imagem’ no CENJOR como se não houvesse amanhã. Aproveitei ainda para completar os estudos. Nem mesmo acrescentando 13 cursos novos ao currículo consegui trabalho fixo na minha profissão. Logo, tive de optar pela reforma antecipada para conseguir manter os meus compromissos mensais em ordem. E para ajudar nas despesas faço umas colaborações de vez em quando que me dão para equilibrar as contas. Temos de ser criativos e energéticos com mais de 50 anos. Temos de fazer mais que um jovem de vinte. É uma estupidez mas consegue-se. Lá está, a vitalidade dos cinquenta…

A saúde, o ego e a auto estima de uma pessoa de 50 anos à procura de emprego sai tão derrotada que se essa pessoa não estiver bem estruturada emocionalmente, vai-se abaixo, começa a pensar que deve ser a maior porcaria do universo. Mas não é. E assim se perdem grandes profissionais pelo preconceito do idadismo.

Para vos mostrar como devem combater o idadismo, trouxe aqui uma pequena história das páginas do site “ofertadeemprego.pt ” para quem busca trabalho e, espante-se, para pessoas com mais de 50 anos!!!

“A idade não é determinante quando se trata da energiaque se pode ter após os 50”

Brazzale, um empresário inovador líder da mais antiga fábrica de laticínios em funcionamento tomou uma decisão singular ao contratar exclusivamente pessoas com mais de 50 anos para um setor específico da empresa. Ele verificou que os candidatos mais jovens, na casa dos 30 anos, mostravam-se desmotivados e com pouca energia. Embora houvesse muitos candidatos nessa faixa etária, apenas oito homens e mulheres com mais de 50 anos foram selecionados.

Brazzale destacou que, para ele, esses trabalhadores mais velhos são, em muitos aspetos, ainda jovens, afirmando: “A idade não é determinante quando se trata da energia e do entusiasmo que se pode ter após os 50 anos”. As pessoas mais velhas têm uma visão do trabalho que é profundamente diferente da dos jovens, entendendo a sua importância de uma forma que só a experiência permite.

Perfil para algumas das posições frequentemente encontradas:

Capacidade de assumir responsabilidades em equipa; Dinamismo e habilidade para enfrentar desafios.

O perfil desejado para estas funções inclui responsabilidade, espírito de equipa, dinamismo e a capacidade de lidar com desafios diários. Esta abordagem levanta questões significativas sobre a valorização dos trabalhadores mais velhos num mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Contratar pessoas com mais de 50 anos é vital numa sociedade que enfrenta grandes desafios demográficos e económicos. Com o envelhecimento da população e o aumento da esperança média de vida, é fundamental reconhecer o valor e a experiência que os trabalhadores mais velhos podem oferecer ao mercado de trabalho.

Estes trabalhadores trazem consigo competências e experiências valiosas acumuladas ao longo de décadas, que podem ser extremamente benéficas em muitos setores.

Quem quiser pode consultar as vagas nesta empresa aqui. Boa sorte!


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